Com o marketing político, fazer propaganda de um político é como vender um produto?

Já têm estudiosos e muita gente ganhando dinheiro fazendo isso. Por conta dessa necessidade da visibilidade, há políticos com assessoria de marketing até em períodos não-eleitorais: cuidando de como ele está aparecendo na mídia, se ele está aparecendo muito ou pouco, se ele está aparecendo positivamente ou negativamente.

Sabemos o efeito que tem a propaganda política mesmo nas pessoas mais conservadoras ou resistentes à candidatura de determinado político. Não dá para negar esta nova era do fazer política, construir lideranças políticas através da comunicação, usando-a como instrumento, inclusive para construir coisas que às vezes não são reais. Constroem imagem de políticos, por exemplo, que simplesmente são fenômenos de mídia. No imaginário popular, isto pode ser confundido com a capacidade que a pessoa tem de resolver determinados problemas.

Existe, atualmente, uma indiferença política?

Eu acho que não. Quanto mais mecanismos você cria de controle público, monitoramento, principalmente das ações de parlamentares, mais vigilante ela fica. Quando há garantia de controles públicos, o controle vai aumentando, e a cultura de controles públicos vai se disseminando. Acho que faltam mecanismos públicos no Brasil.

Os que existem, conselhos e conferências, têm problemas enormes que precisam solucionar, as formas da democracia participativa. Não existe uma cultura de plebiscito no Brasil e daí acontece como foi com o desarmamento, que a mídia fez uma campanha bem de direita, influenciando a opinião pública.

As pessoas não estão desinteressadas pela política. Interessa à mídia reforçar, bombardear a população brasileira com escândalos políticos para fazer as pessoas desacreditarem da política. Quanto mais engajada a população estiver, mais força terá para fazer o controle público. E isso não interessa à mídia.

O discurso de que o jovem não é interessado pela política é um discurso que interessa à mídia, mas não é o discurso da realidade. É importante o jovem entender o jogo político, brigar pela transformação desse sistema. Vejo na comunicação uma ferramenta e um ambiente para o jovem fazer isso. O jovem pode ajudar a mudar a realidade da comunicação no país.

A juventude faz política do jeito que acredita ser viável, sendo sujeitos de um modo totalmente legítimo, fazendo política de outras formas. E é missão nossa de entender essas formas e ajudar a disseminar essas formas.

Nas eleições, como os jovens, principalmente os novos eleitores, podem fazer suas escolhas?

É necessário começar localmente. Primeiro, informando-se pelas mídias; só através da TV não é seguro, porque tem todas as irregularidades, falcatruas, alianças espúrias e o tempo de exposição. Tem que ler jornais e revistas com posicionamentos políticos diferentes para poder fazer uma análise comparativa, tirar as próprias conclusões, porque muitas vezes a pessoa encontra informações contraditórias sobre um mesmo candidato.

A internet, hoje, não está acessível para todos, mas é uma ótima forma de pesquisar, inclusive, acabando com a mediação que os grandes veículos de comunicação fazem. Você pode ir diretamente ao site do político, ver o que ele faz…

É importante pesquisar e comparar. Temos o jornal, a revista, a televisão e o rádio, mas se forem os que mais se ouve no Brasil, são todos da mesma empresa de comunicação e daí nesse caso receberemos destes variados meios, todas as mesmas informações. Todos têm a mesma linha editorial porque pertencem à propriedade privada.

É importante informar-se com meios diversificados, de outras linhas editoriais, sobre as propostas de governo, a plataforma eleitoral do candidato, ver atuações anteriores, trocar ideias com outras pessoas, eleitores mais velhos, para acabar com esta mediação que a comunicação impõe através da mídia.